Dorrit Harazim receberá Prêmio Maria Moors Cabot
  • 24.07
  • 2017
  • 14:47
  • Mariana Gonçalves

Dorrit Harazim receberá Prêmio Maria Moors Cabot

A jornalista e documentarista brasileira Dorrit Harazim está entre as vencedoras de 2017 do Prêmio Maria Moors Cabot, uma das mais distintas gratificações para jornalistas nas Américas. O anúncio foi feito nesta nesta sexta-feira (21.jul.2017) pela Escola de Jornalismo da Universidade Columbia, em Nova York.

A medalha é concedida a jornalistas que promovem o entendimento interamericano por meio de reportagens. “Por seu compromisso com histórias importantes ao longo de uma carreira longa e distinta, o trabalho de Dorrit Harazim incorpora a essência do Prêmio Maria Moors Cabot”, diz a Columbia no anúncio dos premiados.

Considerada uma das maiores jornalistas do país, Harazim nasceu na antiga Iugoslávia, em 1943, e veio ao Brasil com cinco anos de idade. Começou a carreira na Europa, na revista semanal L’Express, de Paris, mas voltou para cá em 1968, trabalhando como repórter na recém-criada Veja. Desde então, foi editora-chefe e de redação na revista, correspondente em Nova York pela Editora Abril e dirigente da equipe de correspondentes n’O Jornal do Brasil. Em 2006, ajudou a fundar a revista piauí e, hoje em dia, é colunista no jornal O Globo.

Com trajetória rica de coberturas, os destaques da jornalista vão para a atuação em ambos os 11 de Setembro – o golpe militar no Chile, em 1973, e o ataque às torres gêmeas, em 2001 –, na Guerra do Vietnã, em quatro eleições norte-americanas e dez Jogos Olímpicos. Também foi notável seu trabalho em 1993, quando passou uma semana no maior presídio feminino brasileiro de então. 

“O Maria Moors Cabot é o mais antigo prêmio internacional de jornalismo e só um pouco mais velhinho do que eu [o prêmio é de 1938]”, diz a jornalista. “A surpresa [de tê-lo ganhado] foi total.”

O jornalista Rosental Calmon Alves, fundador e diretor do Knight Center for Journalism in the Americas e ex-colega de Harazim no Jornal do Brasil, também comenta a premiação: “Dorrit é uma escritora brilhante e uma repórter absolutamente extraordinária”, diz. “Ela tem o talento especial daqueles repórteres geniais que veem coisas, elementos relevantes para a história que os outros jornalistas ignoram porque são incapazes de compreendê-los.” 

O Prêmio Maria Moors Cabot é o 11º da jornalista. Harazim já venceu quatro Esso (1984, 1988, 1994 e 1995) e recebeu o Prêmio Gabriel García Márquez (2015), entre outros. Em 2010, foi homenageada pela Abraji no 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

“De certa forma, o prêmio aumenta a responsabilidade de quem o recebe”, diz Harazim. “Por outro lado, como cubro regularmente a política americana, ser conhecida por uma das principais escolas de jornalismo dos Estados Unidos no ano em que o presidente do mesmo país declara guerra à imprensa independente, e a considera como inimiga, acabou sendo um elogio duplo.”

Thiago Herdy, presidente da Abraji, exalta a premiação: “em meio a dúvidas sobre como remarmos em direção ao futuro, há uma certeza: são pessoas como Dorrit que nos esculpiram o barco”, diz. “A Abraji só pode celebrar o reconhecimento a uma mulher que carrega todos nós em sua alma de repórter. O jornalismo brasileiro é maior por causa dela, timoneira e porto seguro de quem a lê ou tem a sorte de conviver com ela. Viva Dorrit!”

A entrega do prêmio acontece em 10.out.2017, na Universidade de Columbia, em Nova York. Além de Harazim, serão agraciados o argentino Martín Caparrós e os norte-americanos Nick Miroff e Mimi Whitefield. Cada um dos jornalistas receberá uma medalha de ouro e uma quantia em dinheiro.

Violência contra jornalistas no México será lembrada

Neste ano, o Prêmio Maria Moors Cabot reivindica o fim da impunidade para os assassinatos a jornalistas no México, condenando os brutais ataques à imprensa que têm acontecido no país. Na cerimônia de premiação, o júri pretende chamar a atenção para os mais de 145 casos de desaparecimentos, homicídios e tentativas de assassinatos registrados desde 2000.

Brasileiros que venceram o Prêmio Maria Moors Cabot

Paulo Bittencourt (1941)

Sylvia Arruda Botelho Bittencourt (1941)

Assis Chateaubriand (1945)

Orlando Ribeiro Dantas (1948)

Elmano Cardim (1951)

Belarmino Austregésilo de

Athayde (1952)

Carlos Lacerda (1953)

Danton Jobim (1954)

Breno Caldas (1955)

Herbert Moses (1957)

Roberto Marinho (1957 e 1965)

Hernane Tavares Sá (1959)

M.F. Nascimento Brito (1967)

Alceu Amoroso Lima (1969)

Alberto Dines (1970)

Fernando Pedreira (1974)

Carlos Castello Branco (1978)

Luis Fernando Levy (1987)

Roberto Muller (1987)

Paulo Sotero (1987)

Roberto Civita (1988)

Carlos Lins da Silva (1991) 

Ricardo Arnt (1991)

Gilberto Dimenstein (1991)

Otávio Frias Filho (1991)

Clóvis Rossi (2001)

João Antônio Barros (2003)

Miriam Leitão (2005)

José Hamilton Ribeiro (2006)

Merval Pereira (2009)

Norman Gall (2010)

Mauri Konig (2013)

Lucas Mendes (2015)

Rosental Calmon Alves (2016)

Dorrit Harazim (2017)


(Foto: Alice Vergueiro)

Assinatura Abraji