Dorrit Harazim é vencedora do Reconhecimento à Excelência do Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo
  • 22.07
  • 2015
  • 16:06
  • Abraji

Dorrit Harazim é vencedora do Reconhecimento à Excelência do Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo

Considerada uma das maiores jornalistas do país, Dorrit Harazim foi anunciada nesta quarta-feira (22) vencedora do Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo de Reconhecimento à Excelência, às vésperas de completar 50 anos de carreira. A escolha de Dorrit foi unânime entre os onze membros do Conselho Reitor do Prêmio.

A forma com a qual ela narra os fatos, e sua capacidade para "encontrar ângulos e aspectos que outros jornalistas deixam passar desapercebidos, assim como a maneira que encontra para transportar o leitor até minuciosos e interessantes detalhes" foram alguns dos aspectos destacados pelo Conselho, formado por Germán Rey, Mónica González, Jean-François Fogel, Jon Lee Anderson, Héctor Feliciano, Rosental Alves, Martín Caparrós, Sergio Ramírez, María Teresa Ronderos, Héctor Abad Faciolince e Joaquín Estefanía.

A distinção é concedida pela Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Iberoamericano (FNPI) desde 2013. O reconhecimento à Excelência destaca exemplos de independência, integridade e compromisso com os ideais de serviço público que contribuem para o avanço do jornalismo. Gianina Segnini, da Costa Rica, Javier Darío Restrepo, da Colômbia, e Marcela Turati, do México já receberam o reconhecimento em edições anteriores.

Para José Roberto de Toledo, presidente da Abraji, "raras vezes vezes um prêmio foi tão merecido". Em texto apresentado no 5º Congresso da Abraji em 2010, o amigo Zuenir Ventura definiu Dorrit, que era a homenageada daquele ano: "ela é minimalista, eu sou superlativo; ela é lide, eu sou nariz de cera". E encerrou com uma frase que, em sua opinião, certamente seria suprimida em uma edição feita por ela: "gosto demais dessa gringa, do que ela faz e de como escreve".

Histórico

Dorrit, nascida na antiga Iugoslávia, veio para o Brasil com a família fugindo da guerra quando tinha cinco anos de idade. Anos depois voltou para a Europa e começou a carreira como jornalista em Paris, na revista semanal L´Express. Na cidade, conheceu Mino Carta e Roberto Civita, que a convidaram para voltar ao Brasil e trabalhar em uma revista ainda sem nome.

A concretização do convite veio em 1968, quando Dorrit iniciou o trabalho como repórter na revista Veja. No decorrer dos anos trabalhando na publicação, ela chegou a ser, além de repórter, editora chefe e de redação. 

Em seguida, na década de 1970, trabalhou para a Editora Abril em Nova Iorque e posteriormente foi para o Jornal do Brasil, em que dirigiu uma equipe de correspondentes. Foi também nessa década que ganhou mais de dez prêmios de jornalismo devido a coberturas de acontecimentos como a Guerra do Vietnã e a primeira Guerra do petróleo, nos Emirados Árabes.

Das coberturas de que já participou, destaque para os dois 11 de setembro históricos que presenciou. O primeiro, em 1973, aconteceu após o golpe de Estado no Chile, quando o Palácio da Moeda foi bombardeado pelos militares em ataque que terminou com a morte do então presidente Salvador Allende e a instauração de uma ditadura. O segundo foi em 2001, quando dois aviões colidiram com as Torres Gêmeas, em Nova Iorque. Dorrit ainda participou da cobertura de quatro eleições presidenciais nos Estados Unidos e já realizou a cobertura de nove Olimpíadas, completando dez no ano que vem.

Sobre os trabalhos mais recentes, a jornalista aujdou a fundar a revista piauí e mantém uma coluna para o periódico carioca O Globo, além de se dedicar a outros projetos jornalísticos e documentários. "O que eu acho curioso no meu caso como jornalista foi ter começado num patamar delirante, de ser uma caloura circulando entre jornalistas dos principais jornais do mundo, e depois decidir ir para o miúdo. E, nesse sentido, eu tenho alegria de dizer que, depois, que eu me meti nisso, fui feliz para sempre", disse ela à FNPI.

A entrega do prêmio acontecerá em 30 de setembro, na Colômbia.


Foto: Luiz Arthur Leitão Vieira/Prêmio GGM

Assinatura Abraji