
- 21.01
- 2026
- 20:10
- Samara Meneses
Liberdade de expressão
Abraji e ITS Rio atuam para proteger jornalistas no ambiente online
No ambiente digital, o jornalismo tem sido alvo constante de campanhas coordenadas de desinformação, discursos de ódio e tentativas de silenciamento. Dados da Abraji mostram que, em 2024, mais da metade dos ataques contra jornalistas no Brasil teve origem ou repercussão na internet (51%). O dado consta no Monitoramento de Ataques a Jornalistas no Brasil, lançado em 2025.
Diante desse cenário, iniciativas como o Pegabot na Defesa Digital, coordenado pelo ITS Rio, e o Programa de Proteção Legal para Jornalistas, mantido pela Abraji, tornaram-se essenciais para garantir a segurança de comunicadores em um ambiente cada vez mais hostil.
Financiado pela União Europeia, o projeto Pegabot atua na identificação e no combate a campanhas orquestradas de ataques digitais, oferecendo apoio técnico, jurídico e emocional a jornalistas, ativistas e defensores de direitos humanos. A proposta é fortalecer a capacidade de reação das vítimas e também prevenir novas violações, por meio de ações de monitoramento, produção de conhecimento e capacitação. A iniciativa oferece suporte no levantamento de evidências, orientações para a preservação de provas e estratégias para lidar com campanhas de desinformação.
O projeto firmou agora uma parceria com a Abraji, que atua desde 2020 com o Programa de Proteção Legal para Jornalistas, oferecendo acolhimento e assistência jurídica gratuita a profissionais ameaçados ou processados injustamente em razão de sua atuação. Casos de assédio, ameaças ou perseguições podem ser reportados diretamente à Abraji, que avalia e encaminha os pedidos de apoio.
A urgência dessas iniciativas ficou ainda mais evidente no ano passado, quando as jornalistas Gabriela Biló e Thaísa Oliveira, da Folha de S.Paulo, foram alvo de uma onda de ataques digitais após a publicação de uma reportagem sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. As profissionais enfrentaram ameaças, difamações e campanhas de desinformação que chegaram a acusá-las, de forma infundada, de envolvimento na prisão de uma das participantes dos atos golpistas.
Thaísa relatou que já havia sido alvo de ataques anteriormente, embora em proporção muito menor, e que estava ciente de que suas redes sociais abertas seriam vasculhadas. Por isso, tomou algumas medidas de segurança, como a troca de senhas e a delegação do monitoramento a alguém de confiança.
“O contato e a manifestação da Abraji foram fundamentais para expor e registrar o que estava acontecendo, além de me reafirmar que os ataques não eram normais e estavam sendo acompanhados por outras pessoas. O Pegabot também teve um papel essencial ao reunir provas com validade jurídica e elaborar um memorial robusto com a contextualização dos fatos”, afirmou a jornalista.
Além de oferecer assistência direta às vítimas, os dois programas também promovem cursos, fóruns e eventos formativos para ampliar o conhecimento sobre segurança digital e direitos humanos no ambiente online.
A atuação coordenada de instituições como a Abraji e o ITS Rio demonstra que é possível construir redes de resistência e garantir que o jornalismo continue cumprindo seu papel em defesa da democracia. Para jornalistas que desejarem se informar melhor sobre como se proteger no ambiente digital, a Abraji também disponibiliza neste link uma matéria sobre segurança digital para jornalistas, com orientações práticas, passos e recomendações para lidar com ameaças online.
Saiba mais sobre o Pegabot na Defesa Digital em defesadigital.pegabot.com.br
Jornalistas que precisarem de apoio jurídico podem entrar em contato com a Abraji pelo e-mail [email protected] ou preencher o formulário disponível neste link.