• 08.07
  • 2011
  • 14:49
  • Folha.com

WikiLeaks processará sites de pagamento para receber doações

Publicado no portal “Folha.com” em 01 de julho de 2011 

O porta-voz do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, disse que o site vai anunciar nesta sexta-feira que está entrando na Justiça contra os serviços de pagamentos pela internet. 

No final do ano passado, empresas como Visa, MasterCard e PayPal deixaram de receber doações para o WikiLeaks. 

A decisão das companhias foi tomada logo depois do site começar a divulgação de cerca de 250 mil telegramas da diplomacia dos Estados Unidos. 

A declaração de Hrafnsson foi feita no Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo. O evento é promovido pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. 

Ele não entrou em detalhes sobre as ações, mas criticou o tratamento diferenciado que recebeu das empresas. "Isso só se compara à lista negra de McCarthy", disse em referência ao senador americano Joseph McCarthy que perseguiu membros da indústria cultural nos anos 40 e 50 por seu suposto apoio ao comunismo. 

De acordo com o porta-voz do WikiLeaks, sem a doações, o site teve que reduzir as operações neste ano e pode ter perdido "milhões de euros". Ele garantiu, porém, que a organização dispõe de uma reserva de recursos. 

"Nada nos vai parar. Se precisar vamos chamar voluntários para pedirem dinheiro na rua em baldes", disse Hrafnsson. 

Parte da campanha de contra-ataque incluiu a divulgação, na quarta-feira (29), de uma paródia de um famoso comercial da Mastercard: 

 

HISTÓRIA 

A jornalista Natalia Viana, única brasileira na equipe do WikiLeaks envolvida na divulgação dos documentos diplomáticos, afirmou que, em até duas semanas, todos os 250 mil telegramas serão publicados na internet para consulta aberta da sociedade. 

Até agora, apenas trechos dos documentos --que vão de 2003 a 2010-- foram revelados. Eles tratam de fatos políticos nunca antes divulgados pela mídia. 

Segundo ela, a partir de agora, muitas pesquisas e livros poderão ser produzidos para contar as histórias que o conjunto de documentos traz. "Toda a história diplomática dos Estados Unidos desde a invasão do Iraque, passando pela eleição de Obama até a crise financeira estão lá. Toda a história das relações internacionais do governo Lula está lá", afirmou. 

A equipe, porém, retirou de todos os telegramas o nome de pessoas citadas nos telegramas que poderiam sofrer represálias caso suas identidades sejam reveladas. 

 

Assinatura Abraji