
- 18.09
- 2026
- 09:47
- Samara Meneses
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Sob ameaça de morte, Tapajós de Fato desiste de cobrir eleições; Abraji repudia ataques
O Tapajós de Fato, veículo independente reconhecido por sua cobertura da Amazônia, optou por não realizar a cobertura das eleições de 2026. A decisão foi tomada por temor de represálias e perseguições. Diante do cenário, os veículos Repórter Brasil, Agência Pública e InfoAmazonia uniram forças para explicar os motivos do portal e expor os desafios da prática jornalística na região.
O veículo foi fundado em 2020, durante a pandemia, e realiza investigações sobre diversos assuntos, com foco principal em violações socioambientais. No entanto, após enfrentarem recorrentes ameaças nas eleições de 2022, os jornalistas decidiram não cobrir o pleito deste ano por falta de segurança, especialmente em investigações que envolvem a relação de candidatos com o garimpo, o agronegócio e grandes obras.
Desde 2021, a equipe relata graves episódios de violência, desde o envio de uma cabeça de gato decapitada até pneus estourados e um ataque em que uma jornalista foi esfaqueada a apenas 30 metros da redação. Por conta do risco constante, profissionais precisaram mudar de residência e de cidade, passando meses longe de suas famílias.
Diante da gravidade da situação, colegas do jornalismo independente se mobilizaram para apoiar a denúncia do caso. A iniciativa faz parte do Consejo Editorial Transfronterizo — rede que promove a colaboração, o intercâmbio de conhecimentos e o desenvolvimento conjunto de reportagens sobre temas fronteiriços na Amazônia. Em ação conjunta, Repórter Brasil, Agência Pública e InfoAmazonia publicaram uma matéria unificada, compilando todas as denúncias relatadas pelo Tapajós de Fato. A divulgação tem sido auxiliada por outros veículos, como o #Colabora.
A Abraji repudia as graves ameaças dirigidas ao veículo e reitera a importância da investigação e da responsabilização dos autores. Ana Carolina Moreno, presidente da organização, reforça: “Um cenário em que jornalistas desistem de cobrir um tema relevante por medo de perder a própria vida representa uma derrota para qualquer democracia. A perda para a sociedade é incalculável e fruto da pouca importância que as autoridades dão às ameaças e aos ataques a jornalistas”.
Ela acrescenta: “Do outro lado, ganham os indivíduos que praticaram as ameaças e saem fortalecidos pela impunidade. A região do Tapajós (Pará) hoje está mais vulnerável à corrupção e ao crime ambiental por causa do silenciamento da equipe do Tapajós de Fato. Pedimos que as autoridades investiguem e punam os autores dos ataques e das ameaças para que o veículo possa retomar sua cobertura com segurança”.
A Abraji, por meio do seu Núcleo de Segurança, atende jornalistas em risco, faz o acompanhamento, registro e encaminhamento de casos de violência, sejam ataques contra a segurança física, digital ou jurídica para a assistência e comunicação. O apoio pode ser solicitado por email para [email protected] ou no site.
Ainda neste mês, nos dias 24 e 25 de setembro, o Núcleo de Segurança promove o minicurso gratuito “Como criar uma rotina de proteção legal para minhas pautas ambientais?”. A formação ocorre a partir das 9h (horário de Brasília) e é pensada para apoiar comunicadores e jornalistas na cobertura de temas socioambientais com menor exposição a riscos jurídicos.
O evento também marca o lançamento oficial da cartilha do Projeto Biomas, intitulada “Protegendo Biomas nos Territórios: Proteção Legal e Jornalismo Ambiental”. Desenvolvido para servir como um guia prático de prevenção, o material ensina a evitar processos e a fortalecer a defesa em reportagens sobre o meio ambiente.
Garanta sua participação por aqui
*Crédito foto de capa: InfoAmazonia, Agência Pública, Repórter Brasil