Repórter é retido na Venezuela ao cobrir manifestações na capital
  • 29.01
  • 2019
  • 15:24
  • Abraji

Liberdade de expressão

Repórter é retido na Venezuela ao cobrir manifestações na capital

Em 25.jan.2019, o repórter Rodrigo Lopes (RBS) foi retido por duas horas em uma unidade militar em Caracas. O jornalista estava na capital venezuelana para cobrir os desdobramentos da crise política no país. 

Lopes foi abordado por agentes do governo de Nicolás Maduro enquanto registrava uma manifestação de apoiadores do presidente na área do Palácio Miraflores. Um homem arrancou o celular das mãos do repórter e fiscalizou as fotos no aparelho. Ao encontrar vídeos de um comício de Juan Guaidó, opositor de Maduro que se autodeclarou presidente da Venezuela em 23.jan.2019, acusou o jornalista de ser militante da oposição.

O repórter se identificou como profissional da imprensa a trabalho, mas mesmo assim foi conduzido a uma unidade militar em frente ao Palácio. Cercado por vários homens e interrogado por um superior, foi ameaçado de prisão: “Vamos te prender para saberes o que é bom. A imprensa brasileira chama nosso presidente de ditador”.

O celular e o passaporte de Lopes foram confiscados e o jornalista ficou no local sem comunicação e sem direito a contatar a embaixada brasileira por duas horas. Antes de ser liberado e ter seus pertences devolvidos, Lopes foi fotografado por um dos agentes, segundo o qual ele estava fichado. “Se te pegarmos novamente, tu vais ser preso e responderá processo segundo as leis venezuelanas”, disse o agente.

Por segurança, o repórter deixou a Venezuela, chegando de volta ao Brasil em 27.jan. “[Me sinto] revoltado por ter meu direito ao exercício do jornalismo independente cerceado”, escreveu Lopes em relato publicado na Zero Hora.

A Abraji repudia a ação do governo venezuelano, especialmente por não ser a primeira vez em que um profissional da imprensa brasileira no exercício da profissão é detido sem justificativa plausível por agentes daquele país. A retenção, interrogatório e ameaças a Rodrigo Lopes são violações graves à liberdade de imprensa e ao direito de acesso a informações, garantidos internacionalmente.

Diretoria da Abraji, 29 de janeiro de 2019.

Assinatura Abraji