
- 13.05
- 2026
- 12:45
- Samara Meneses
Liberdade de expressão
Rede Voces del Sur lança Relatório Sombra 2025
O Relatório Sombra 2025, organizado pela Rede Voces del Sur (Rede VDS), foi lançado nesta terça-feira (12). A pesquisa apresenta uma análise regional independente que documenta as principais tendências, os desafios e retrocessos da liberdade de imprensa e do acesso à informação em 17 países da América Latina e do Caribe. A Abraji colabora com o levantamento com apurações sobre o Brasil.
Em 2025, o relatório registrou mais 2.484 alertas que afetaram 3.230 vítimas. Embora o número seja inferior ao registrado em 2024 (3.766 alertas), isso não representou uma melhora, mas sim uma reconfiguração da violência em direção a mecanismos menos visíveis, especialmente nos âmbitos digital, judicial e institucional, somada ao avanço da autocensura e das “zonas de silêncio”, como o documento demonstra.
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A violência letal tirou a vida de 23 jornalistas em 2025, nove a mais do que em 2024, o que equivale a uma morte a cada 16 dias. O México registrou sete assassinatos e consolidou-se como o país mais letal da região, seguido por Equador (5) e Peru (4). Também foram registrados assassinatos na Guatemala, Honduras, Colômbia e El Salvador.
Cenário brasileiro
No Brasil, as agressões se descentralizaram territorialmente, com protagonismo crescente de atores estatais e não estatais. Foram registrados 204 alertas e 247 vítimas, além de 31 alertas transversais baseados em gênero. Do total de casos, 42,7% tiveram origem em atores estatais e 41,8% em atores não estatais.
Paralelamente, o ambiente digital fixou-se como um espaço-chave para a estigmatização, a perseguição e a deslegitimação do trabalho jornalístico, com o registro de 80 agressões verbais, escritas e digitais.
Em conjunto, essas tendências configuram um cenário crítico diante do ciclo eleitoral de 2026 e de seus possíveis impactos sobre a liberdade de imprensa.
No documento, a Abraji recomenda o fortalecimento do marco legal e das políticas públicas destinadas a prevenir e sancionar o assédio judicial contra jornalistas, prática que continua em crescimento, apesar dos precedentes estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal. A organização também destaca a necessidade de impulsionar programas de capacitação e protocolos específicos para autoridades locais e forças de segurança, a fim de melhorar a prevenção, a investigação e a resposta diante de agressões contra a imprensa.