Prefeita é indiciada por homicídio duplamente qualificado de jornalista em MG
  • 11.09
  • 2017
  • 18:35
  • Mariana Gonçalves

Liberdade de expressão

Prefeita é indiciada por homicídio duplamente qualificado de jornalista em MG

A prefeita da cidade mineira de Santa Luzia, Roseli Ferreira Pimentel (PSB-MG), foi indiciada nesta segunda-feira (11.set.2017) por homicídio duplamente qualificado do jornalista Maurício do Campos Rosa, editor e proprietário do jornal local O Grito. Presa desde a última quarta-feira (6.set.2017), ela é apontada como mandante e financiadora do assassinato, segundo nota da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais. 

O delegado César Matoso afirmou nesta tarde, em coletiva de imprensa, que a então prefeita pagou R$ 20 mil pela morte de Rosa. 

O comunicador foi assassinado com cinco tiros em 17.ago.2016, após deixar a casa de um amigo. Foi o quarto jornalista assassinado no Brasil no ano passado. Seu jornal, O Grito, de tiragem quinzenal, era distribuído gratuitamente em Santa Luzia havia mais de vinte anos, noticiando os acontecimentos da região.

Até a prisão da prefeita, a motivação e a autoria do crime não haviam sido esclarecidas, apesar das suspeitas de que a morte estivesse relacionada ao trabalho de Rosa. O jornalista investigava o envolvimento irregular de vereadores da cidade com uma cooperativa de coleta de lixo.

Em nota, a Polícia Civil afirmou, no entanto, que Pimentel teria ordenado o crime após ter sido chantageada pela vítima. Rosa, que era seu aliado, “ameaçou inverter a linha editorial do jornal, divulgando críticas à gestão da então candidata ao cargo de prefeita, prejudicando-a assim em sua campanha eleitoral”. Segundo o delegado Matoso, as informações foram obtidas por testemunha próxima a Pimentel.

A prefeita também teria ordenado a uma funcionária pública que se dirigisse ao posto aonde o jornalista foi levado quando foi ferido e tirasse seus pertences, obstruindo as investigações da Polícia. 

Além de Pimentel, outros três suspeitos tiveram prisão preventiva decretada: David Santos Lima (conhecido como Nego), Alessandro de Oliveira Souza (Leleca) e Gustavo Sérgio Soares Silva (Gustavim). Um quarto envolvido, Paulo César Florindo de Almeida (PC), ainda não foi localizado. 

O mandado de prisão foi expedido pelo desembargador da 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Alexandre Pinto de Carvalho, após parecer favorável do procurador de justiça Henrique da Cruz German. Hoje, a prefeita está no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte. 

A assessoria de comunicação da Prefeitura de Santa Luzia não se pronunciou sobre o caso. 

Histórico de irregularidades

Pimentel também irá responder por dois crimes de peculato. Segundo a Polícia Civil, “por meio de complexa manobra contábil”, a gestora “teria garantido o dinheiro em fatura da Secretaria de Educação, destinada à compra de mamão, e compensado o valor por meio de recursos da Secretaria de Saúde”.

A prefeita , que estava em sua segunda gestão, teve o mandato cassado cinco vezes e permanecia no cargo por causa de liminar.

Assinatura Abraji