Jornalismo no Brasil em 2026: os desafios do jornalismo nas eleições de 2026
  • 19.01
  • 2026
  • 16:20
  • Abraji

Acesso à Informação

Jornalismo no Brasil em 2026: os desafios do jornalismo nas eleições de 2026

A chamada era da pós-verdade deu lugar a um cenário ainda mais adverso para o debate público: a era da pós-vergonha. Nesse ambiente, declarações falsas ou enganosas deixam de causar constrangimento, enquanto os fatos perdem relevância diante do que gera mais atenção e engajamento. Plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial contribuem para a disseminação de conteúdos chamativos, feitos para viralizar, muitas vezes sem compromisso com a realidade.

Desde que os grandes modelos de linguagem (LLMs) se popularizaram, a partir de 2022, tornou-se muito mais fácil produzir textos, imagens e vídeos em larga escala. Esse uso se intensificou especialmente em campanhas políticas e entre grupos interessados em influenciar a opinião pública. Em anos eleitorais, a combinação entre tecnologia, segmentação extrema de públicos e disputa por cliques tende a ampliar a circulação de desinformação e de conteúdos artificiais difíceis de verificar.

No Brasil, as eleições de 2026 devem marcar a primeira disputa presidencial plenamente inserida nesse novo contexto. Com redações financeiramente fragilizadas, equipes reduzidas e forte dependência do tráfego controlado por grandes empresas de tecnologia, o jornalismo enfrenta um dilema central: como cobrir as eleições sem amplificar o ruído que ameaça a própria democracia?

Mais do que nunca, o desafio passa por repensar prioridades editoriais, fortalecer a relação com as comunidades de leitores e reafirmar o compromisso com uma apuração rigorosa em meio à crescente poluição informacional. Como escreve o jornalista Marcelo Soares, especialista em cobertura política, a cobertura eleitoral exigirá menos corrida por cliques e mais clareza sobre o papel público do jornalismo.

O especial Jornalismo no Brasil em 2026 analisa como a era da pós-vergonha transforma o cenário político, tecnológico e informacional do país, além de apontar caminhos para que a imprensa atravesse esse período crítico. A iniciativa é realizada pelo Farol Jornalismo, em parceria com a Abraji, e conta com o apoio do Projor (Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo).

Para se aprofundar no tema e conferir os outros conteúdos do especial, acesse aqui.

O texto completo “2026: a primeira eleição presidencial da era pós-vergonha”, de Marcelo Soares, pode ser acessado neste link.

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