Inspiração Abraji lança perfil de Zuenir Ventura escrito por Marcelo Beraba e Elvira Lobato
  • 23.09
  • 2026
  • 11:14
  • Samara Meneses

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Inspiração Abraji lança perfil de Zuenir Ventura escrito por Marcelo Beraba e Elvira Lobato

O projeto Inspiração Abraji lança o perfil de Zuenir Ventura, um dos nomes mais importantes do jornalismo brasileiro, que morreu na última terça-feira (22), aos 95 anos, no Rio de Janeiro. O perfil foi escrito por Marcelo Beraba, fundador da Abraji, que faleceu no ano passado. O texto foi finalizado por Elvira Lobato, viúva de Beraba, que criou o Inspiração com a jornalista Maiá Menezes.

Colunista de O Globo e escritor, Zuenir foi o homenageado do 13º Congresso da Abraji, em 2018. Para a homenagem, foi produzido um documentário, que está disponível no canal do YouTube. O jornalista ocupava a cadeira de número 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2015. 

“Zuenir Ventura foi um dos ídolos de Marcelo Beraba. Falecido em 28 de julho de 2025, Beraba nutria grande admiração e respeito por Zuenir. O perfil de Mestre Zu foi deixado semipronto por Beraba e concluído por mim, após sua morte", explica Elvira.

Zuenir começou sua carreira na Tribuna da Imprensa e passou por Correio da Manhã, Cruzeiro, Jornal do Brasil, Visão, Veja, IstoÉ, O Globo, entre outros veículos. Era formado em Letras Neolatinas pela UFRJ e autor de “1968 - O ano que não terminou” e de diversas outras obras.

O projeto Inspiração Abraji foi criado como uma forma de inspirar e despertar a curiosidade de estudantes e jovens jornalistas, por meio de entrevistas, relatos e muitas histórias de mestres do jornalismo brasileiro.


Confira o perfil de Zuenir Ventura no Projeto Inspiração


“Mestre Zu”

Zuenir Ventura, nascido em Além Paraíba, na Zona da Mata mineira, ficou conhecido como “mestre Zu” ao longo de mais de sete décadas de atuação como jornalista, professor e escritor — trajetória que o levou a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL). Venceu os prêmios Esso e Vladimir Herzog pela cobertura do assassinato do líder ambientalista Chico Mendes, além do Prêmio Jabuti, na categoria reportagem, pelo livro Cidade Partida, em 1995.


Durante a conferência da Academia Brasileira de Letras em 2019. (Divulgação/ABL)


Aos 23 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para cursar Letras Neolatinas na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Paralelamente à carreira na imprensa, atuou como professor universitário por mais de quatro décadas.

Sua trajetória no jornalismo começou como arquivista na Tribuna da Imprensa, jornal fundado por Carlos Lacerda. A migração definitiva para a redação ocorreu em janeiro de 1960, quando assinou o obituário de um de seus ídolos literários, o escritor francês Albert Camus. A partir dali, rendeu-se à reportagem. Em outubro do mesmo ano, embarcou para Paris como bolsista do Centre de Formation des Journalistes, de onde enviava correspondências esporádicas para a Tribuna.

Mesmo consagrado, Zuenir ressaltava a importância de manter a energia e a dedicação do início da carreira diante de cada nova pauta. “Essa tensão de foca diante de cada desafio — esse estresse que, como o colesterol, pode ser bom — talvez constitua o grande segredo da profissão, que é um interminável exercício de aprendizado e descoberta. Não existe repórter pronto. Ele é um processo, uma construção, uma obra imperfeita e inacabada”, resumiu no livro “Jornalismo é…”.

Para os jovens repórteres, o conselho do jornalista é:

“Nós, jornalistas, temos um pecado que nos cerca a todo momento: a arrogância. Como detemos o poder da informação, isso costuma subir à cabeça e nos faz achar que somos donos dos acontecimentos. É preciso ter humildade — não apenas como mérito ou virtude, mas por sabedoria e esperteza, porque, nesta profissão, quebra-se a cara constantemente. O furo que você dá hoje pode ser derrubado amanhã.”

 

*Crédito foto de capa: Elza Fiúza/ABr

Assinatura Abraji