General da reserva Santos Cruz será entrevistado no 14º Congresso da Abraji
  • 18.06
  • 2019
  • 15:00
  • Natália Silva

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General da reserva Santos Cruz será entrevistado no 14º Congresso da Abraji

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O general da reserva Santos Cruz — que comandava a Secretaria de Governo da Presidência da República até a última semana — será entrevistado durante o 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), de 27 a 29.jun.2019, no campus Vila Olímpia da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. 

A entrevista será feita no dia 27.jun.2019, com início às 9h, por Julia Duailibi, comentarista de política e economia da GloboNews, e por Daniel Bramatti, presidente da Abraji e editor do Estadão Dados e do Estadão Verifica. Ao final, a plateia poderá fazer perguntas ao general, com a moderação da equipe da Abraji.

O vice-presidente Hamilton Mourão, que seria entrevistado nesta data, cancelou sua participação no evento.

Carlos Alberto dos Santos Cruz nasceu em 01.jun.1952, na cidade de Rio Grande (RS). Ficou órfão durante a infância: perdeu o pai aos 3 meses e a mãe aos 5 anos. Iniciou a carreira militar aos 15 anos na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas (SP). Formou-se em 1970 e ingressou na Academia Militar das Agulhas Negras, instituição da qual viria a ser comandante entre 1983 e 1984. 

Em 1987, foi promovido a major. Após cursar a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, subiu para o posto de tenente-coronel em 1992. Entre 2001 e 2003, já como coronel, foi adido militar na Embaixada do Brasil em Moscou, na Rússia.
 
Entre jan.2007 e abr.2009, foi comandante de 12 mil militares na missão de paz no Haiti. De volta ao Brasil, comandou a 2ª Divisão de Exército e foi subcomandante do Comando de Operações Terrestres. Em 2012, passou para a reserva. No primeiro mandato de Dilma Rousseff, integrou a assessoria da Secretaria de Assuntos Estratégicos, comandada por Moreira Franco, por um breve período.

Em abr.2013, foi escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para substituir o tenente-general indiano Chander Prakash Wadhwa no comando da missão de paz na República Democrática do Congo. Em jun.2013, voltou à ativa para ocupar o cargo e comandou cerca de 23 mil militares até dez.2015. A rede de TV árabe Al Jazeera produziu um documentário sobre a atuação de Santos Cruz na missão chamado Congo and the General (O Congo e o General). 

Durante o governo Temer, entre abr.2017 e jun.2018, acumulou os cargos de chefe da Secretaria Nacional de Segurança Pública e secretário executivo do Ministério da Segurança Pública. Deixou a gestão para participar da campanha de Jair Bolsonaro à Presidência. Em nov.2018, após a eleição de Bolsonaro, Santos Cruz foi anunciado como ministro-chefe da Secretaria de Governo, responsável pela comunicação do Planalto e pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), além de exercer papel importante na articulação com o Legislativo.

Desde abr.2019, Santos Cruz enfrentava embates com a ala olavista do governo, que segue o ideólogo Olavo de Carvalho. O general demonstrou ressalvas às estratégias usadas por apoiadores de Jair Bolsonaro em redes sociais e foi duramente criticado por Olavo de Carvalho e Carlos Bolsonaro, filho do presidente e vereador pelo Rio de Janeiro. 

Houve também discordâncias entre o general e o presidente em relação a uma campanha de publicidade do Banco do Brasil, cujo tema era diversidade. Por determinação do Planalto, o comercial de 30 segundos foi tirado do ar sob a justificativa de “respeito à família". Santos Cruz se opôs à decisão de Bolsonaro e afirmou que a Secom, sob seu comando, não poderia interferir na publicidade de estatais, por determinação da Lei das Estatais. 

Em 14.jun.2019, o militar da reserva tornou-se o terceiro ministro a deixar o governo em seis meses de gestão. Foi substituído pelo general Luiz Ramos Baptista Pereira, atual chefe do Comando Militar do Sudeste.

Assinatura Abraji