• 06.04
  • 2005
  • 18:05
  • Marcelo Soares

BD do crime organizado atualiza caso Dorothy Stang

O banco de dados sobre o crime organizado montado pela Abraji fechou março com 127 novas inserções. Nos últimos dias foi atualizada a condição jurídica de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, investigado por envolvimento na morte da freira Dorothy Stang, assassinada dia 12 de fevereiro em Anapu (PA). Ele estava foragido e se entregou à PF no último dia 27. Os fazendeiros citados por Bida em depoimento também foram incluídos no arquivo.

O tráfico de drogas manteve liderança nos registros do mês, com 79 indiciados, acusados, presos em flagrante ou foragidos procurados pela Polícia Federal. Oito novos casos são de tráfico internacional, todos envolvendo cocaína. As drogas apreendidas pela polícia deixavam o País para destinos como Espanha, Amsterdã e Moçambique.

Ainda no mês de março, foram incluídos indiciados na Operação Mata Verde, de combate a extração ilegal de madeira na Bahia. A Polícia Federal prendeu, no mesmo Estado, dois homens que lideravam uma rota internacional de prostituição que enviava mulheres para a República Tcheca. Outra operação, a “Hades” resultou também na prisão de três acusados de fraude da previdência.

Já na primeira semana se abril foram incluídos os nomes de oito pessoas indiciadas no Paraná por pertencer a uma organização criminosa especializada no patrulhamento armado de fazendas ocupadas por membros do Movimento dos Sem Terra. A Polícia Federal trabalha com a hipótese do grupo ser mantido financeiramente por fazendeiros ligados ao Sindicato Rural de Ponta Grossa, no Paraná. Dos oito indiciados pela polícia, seis são policiais militares.

Disponível apenas para sócios da Abraji na seção Biblioteca, o banco de dados é atualizado pela monitora Carolina Hungria e oferecido em arquivos para os programas Access e Excel. Ele inclui dados sobre indivíduos presos ou acusados de envolvimento com o crime organizado, com informações distribuídas pela Polícia Federal e, em alguns casos, veículos brasileiros de comunicação. O arquivo tem hoje 1451 nomes.

Como a fonte das inclusões na base de dados é a PF ou o noticiário dos jornais, é importante lembrar que decisões judiciais posteriores podem alterar o status dos incluídos. A maioria ainda não recebeu condenação definitiva. Verifique antes de usar.

Vale lembrar que os registros do BD da Abraji não têm representatividade estatística (ao menos por enquanto) para se fazer inferências sobre o crime organizado e o tráfico no país.

Nosso objetivo é que os jornalistas que passem a usar o BD ajudem a Abraji a melhorá-lo, complementando as informações e incluindo novos registros. Caso você tenha utilizado o banco de dados para fazer alguma reportagem, envie-a para nós e o caso será divulgado em nosso website.

Dúvidas e sugestões podem ser encaminhadas para Carol Hungria ([email protected]), para o diretor de CAR da Abraji, José Roberto de Toledo ([email protected]), ou para o gerente executivo da associação, Marcelo Soares ([email protected]).
Assinatura Abraji