• 10.12
  • 2009
  • 17:40
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Associados da Abraji estão entre os ganhadores do Prêmio Esso de Jornalismo 2009

A jornalista Angelina Nunes, presidente da Abraji, foi uma das premiadas pelo Prêmio Esso de Jornalismo com o trabalho Democracia nas Favelas. É uma reportagem multimídia com arquivos de vídeo, foto e música retratando as mudanças em cinco favelas do Rio de Janeiro com a chegada das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Além de Angelina, também receberam o prêmio pelo trabalho os jornalistas de O Globo, Paulo Motta, Carla Rocha, Selma Schmidt, Vera Araújo e Fábio Vasconcelos. A matéria, que levou o Prêmio Esso de Reportagem 3 (o número se refere a uma das regiões em que o prêmio é dividido) é uma continuação dos trabalhos Os Brasileiros que Ainda Vivem na Ditadura (2007) e Favela S/A (2008).


O primeiro trabalho tratou da repressão e o controle que as facções impõem sobre as vidas dos moradores do morro, o segundo sobre o mercado ilegal que fatura cerca de R$ 3bilhões por ano nas favelas do Rio. “O objetivo dessa última matéria da trilogia é mostrar como a democracia está sendo construída nos morros sem o controle das facções, quando você pode usar uma camiseta vermelha sem se preocupar se a facção que controla sua favela é do comando vermelho, quando você pode ouvir uma música sem ter medo que ela desagrade uma facção, quando você pode namorar uma menina de outro morro sem se preocupar se a facção que controla ele é inimiga da que controla o seu”, explica Angelina. A idéia de pauta foi do editor Paulo Motta.


Segundo Angelina, foi fundamental a organização na hora de fazer a série de reportagens. “Foi um trabalho de equipe, nos planejamos desde o ano anterior para isso”. O trabalho reuniu fotógrafos, diagramadores e jornalistas das áreas de administração, polícia e infra-estrutura, que em certo ponto se reuniam diariamente para discutir o projeto. Além disso, houve também o envolvimento de nove profissionais somente da parte on-line do Globo, gerando um espaço específico para a reportagem no site do jornal. “Além da reportagem, todo mundo também estava trabalhando cobrindo o dia-a-dia. Só no último mês que nós conseguimos livrar quatro repórteres da cobertura diária”. A parte on-line também conta com uma seleção de músicas feitas pelo jornalista Cláudio Motta, que vão desde sambas antigos até o funk carioca e que se relacionam com as matérias.


Sobre o trabalho dos jornalistas, Angelina comenta: “bota gente com gás, competente na rua, tem que dar certo”. A presidente da Abraji também destaca que a maioria dos repórteres envolvidos participaram do treinamento Reportagem Assistida por Computador (RAC), curso on-line oferecido pela Abraji. “Isso foi fundamental, principalmente na Favela S/A, em que a gente tinha que conseguir informações nos bancos de dados do governo e montar umas tabelas do Excel enormes. Os cursos da Abraji são um grande diferencial”.


Outra associada da Abraji que também foi premiada foi jornalista Silvia Bessa, autora da reportagem Quilombola – Os direitos Negados de um Povo. A repórter do Diário de Pernambuco (Recife) ganhou o prêmio Esso Regional 1 (o prêmio é dividido em três regiões, esta em especial é composta por 17 Estados), de R$ 3.000,00. Ela viajou por seis Estados, do Nordeste  para escrever sobre a situação dos povos quilombolas mais de 120 anos depois da abolição da escravidão. A região concentra 50% dos quilombos do Brasil. No começo de sua reportagem, Bessa coloca “Este caderno especial é um alerta. Ou se presta a esse papel. A equipe se embrenhou pela terra pedregosa e distante dos sertões para fazer uma completa investigação jornalística. Aborda o quadro social, econômico, político e cultural desse povo esquecido”. O trabalho retratou a falta de assistência social, o racismo e a carência de infra-estrutura que continuam a afligir as comunidades quilombolas.


Bessa foi uma das palestrantes do 4º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido este ano em São Paulo. Na ocasião, ela contou como fez a reportagem “O Brasil que vai sofrer com o aquecimento”, que teve grande repercussão.

Esso Jornalismo


O prêmio Esso de Jornalismo também foi para um grupo de jornalistas de Recife. Os repórteres Fabiana Moraes e Schneider Carpeggiani, do Jornal do Commercio, retraçaram o caminho percorrido por Euclides da Cunha em seu livro “Os Sertões”. A reportagem, de mesmo nome, foi elaborada pensando na passagem dos 100 anos da morte do escritor. Foram percorridos 4.713 quilômetros da Bahia ao Ceará, mostrando um novo sertão, onde convivem vaqueiros e pirateadores, beatos e travestis, cantadoras de incelências e traficantes, padres e b-boys.


Também foram concedidas outras 12 premiações a trabalhos do Brasil inteiro em cerimônia que ocorreu no Hotel Copacabana Palace, no dia 8 de dezembro.
Veja aqui a lista completa das matérias premiadas e tenha acesso aos trabalhos premiados no site do novoemfolha.

Assinatura Abraji