Abraji repudia tentativa de censura da imprensa pela campanha de Flávio Bolsonaro
  • 23.10
  • 2026
  • 23:00
  • Abraji

Liberdade de expressão

Abraji repudia tentativa de censura da imprensa pela campanha de Flávio Bolsonaro

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) vem a público manifestar seu repúdio contra a grave tentativa da campanha de Flávio Bolsonaro de censurar o trabalho da imprensa às vésperas do segundo turno, tentando vinculá-la a uma campanha eleitoral.

Em uma ação de investigação eleitoral apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira, 22 de outubro, a campanha pede, em um prazo de 3 (três) horas, a remoção de 241 publicações dos veículos ICL Notícias, Diário do Centro do Mundo e Brasil Fora da Caverna. Além disso, há um pedido para que os veículos se “abstenham, até o encerramento do segundo turno, de veicular nos portais convocação, agenda ou transmissão de atos de campanha associadas a candidaturas”, o que configura censura prévia e contraria a Constituição. 

A ação tem como alvos o presidente e vice candidatos à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, e coloca os veículos como terceiros interessados, o que indica uma clara tentativa de deslegitimar a atividade jornalística dos veículos de comunicação, enquadrando-os como uma extensão da campanha eleitoral. São elencadas algumas publicações de cobertura das manifestações pró-Lula, divulgação das estratégias da campanha de Lula, artigos de opinião e publicações a respeito das pesquisas eleitorais. 

A campanha afirma que utilizou inteligência artificial para analisar milhares de posts dos portais e classificá-los como favoráveis ou críticos aos candidatos. E argumenta que a falta de equilíbrio estatístico justificaria a descaracterização do trabalho jornalístico, podendo ser equiparado à propaganda eleitoral. 

A Abraji vê com preocupação a tentativa de descredibilizar o trabalho jornalístico com um verniz supostamente científico. O jornalismo é caracterizado pelo rigor metodológico na apuração e divulgação de informações verdadeiras e fundamentadas no interesse público. A liberdade de imprensa assegura aos veículos de comunicação também a sua liberdade editorial, que não se confunde com as regras eleitorais aplicáveis à isonomia de divulgação de campanhas oficiais na televisão e no rádio. 

Além disso, é grave que o pedido formulado tente não somente impedir a população de acessar conteúdos já publicados, mas também impedir a cobertura jornalística até o fim do segundo turno. A Abraji espera que a Justiça Eleitoral possa frear esta tentativa inconstitucional de censura prévia e fazer prevalecer a liberdade jornalística como direito coletivo de acesso à informação.

Diretoria da Abraji, 23 de outubro de 2026.

Assinatura Abraji