
- 31.08
- 2026
- 21:09
- Abraji
Liberdade de expressão
Abraji repudia ataques misóginos contra jornalista da Agência Pública
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) manifesta seu repúdio em relação ao influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que tem utilizado suas redes sociais para ofender a jornalista Natália Viana, da Agência Pública, e, divulgado seu nome e imagem, além de incitar seus seguidores a fazerem o mesmo. A campanha online de difamação foi compartilhada e apoiada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que perdeu o cargo em dezembro de 2025 ao ser cassado por excesso de faltas no Congresso Nacional.
Viana havia feito contato com Figueiredo, como é praxe das boas práticas do jornalismo, em razão de investigações que tem publicado sobre doações feitas a uma deputada dos EUA e sobre o estilo de vida que o influenciador e o ex-deputado Bolsonaro levam no país norte-americano, esta última em conjunto com o ICL Notícias. Em vez de usar o espaço a que tem direito para fornecer sua versão dos fatos apurados, Figueiredo passou a enviar mensagens agressivas, com ofensas misóginas, e a republicá-las em suas redes sociais, expondo a jornalista.
Desde os primeiros posts, que começaram em 20 de agosto, até a ofensiva mais intensa dos últimos dois dias, a campanha do influenciador nas redes sociais reforça padrões conhecidos de violência contra jornalistas: para silenciar uma mensagem que lhe desagrada, o agressor ataca a credibilidade do mensageiro. No caso das mulheres, isso significa ser alvo de graves ofensas misóginas, que não serão reproduzidas aqui. O episódio não é o primeiro em que o influenciador lança mão de agressões verbais machistas contra jornalistas, algo que já havia ocorrido este ano contra jornalistas do Globonews.
O objetivo está mais do que claro: buscar engajamento por meio de ofensas covardes contra jornalistas no exercício de sua função de apurar os fatos com rigor e reportá-los com transparência para a sociedade, fornecendo às fontes o direito de se manifestarem.
Além do ataque a jornalistas, inadmissível em um ambiente democrático, as ofensas misóginas também agem diretamente para deteriorar a já precária segurança no ambiente digital ao qual as mulheres brasileiras estão sujeitas diariamente.
A Abraji manifesta sua solidariedade a Natália Viana e à Agência Pública ante esses ataques e seu apoio ao trabalho de jornalismo investigativo de interesse público, que se torna ainda mais essencial em períodos eleitorais como o que atravessa o Brasil neste momento. E reforça seu apelo para a responsabilização das práticas do influenciador bolsonarista que já se mostram uma forma sistemática de tentar calar a imprensa tendo como alvo preferencial as mulheres jornalistas. A Abraji repudia veementemente o episódio e lamenta que mais jornalistas se tornem vítimas desta prática.
Diretoria da Abraji, 31 de agosto de 2026.