Abraji abre inscrições para o curso gratuito 'IA aplicada à análise documental investigativa'
  • 08.09
  • 2026
  • 14:57
  • Abraji

Formação

Abraji abre inscrições para o curso gratuito 'IA aplicada à análise documental investigativa'

A Abraji lança, com apoio do Google, o curso gratuito “IA aplicada à análise documental investigativa” — segunda etapa da trilha de formação em IA da Academia Abraji. São 8 aulas transmitidas ao vivo, das 16h às 17h30 (horário de Brasília), no YouTube da Abraji, entre 22 de setembro e 15 de outubro.

As inscrições abrem em 8 de setembro e vão até 23 de setembro. Você pode se inscrever neste link.

Este é o segundo passo da trilha anunciada em julho. Depois do Fundamentos de IA Generativa para Jornalistas, que é online e assíncrono, chegam agora as sessões ao vivo — e, mais à frente, os encontros presenciais em cinco capitais. A ideia é construir, de forma progressiva, um percurso que vá dos fundamentos conceituais às aplicações mais avançadas de IA no jornalismo.

Enquanto o Kit de Ferramentas Gemini ensina o "como fazer" e o Fundamentos entrega a camada conceitual — por que essas ferramentas funcionam e onde falham —, este curso vai fundo em uma coisa só: como analisar acervos documentais grandes demais para serem lidos por uma pessoa.

"Temos muito orgulho da parceria de longa data com a Abraji e da presença contínua em suas iniciativas ao longo de todo o ano. Compartilhamos com a associação o objetivo de colocar a tecnologia a serviço do jornalismo, apoiando a capacitação de profissionais para que integrem inovações às suas rotinas com responsabilidade", afirmou Fabiana Zanni, diretora de Parcerias de Notícias do Google para a América Latina.

Por que este curso importa

Toda investigação séria esbarra, mais cedo ou mais tarde, no mesmo problema: são milhares de páginas de processos, contratos, relatórios de órgãos de controle, atas e transcrições — e não há tempo para ler tudo. A IA promete resolver isso, e resolve em parte. Mas resolve triagem, indexação, transcrição e síntese; não resolve verificação, atribuição de responsabilidade nem nexo causal. Confundir uma coisa com a outra é o erro que este curso existe para evitar.

O curso parte de um princípio prático: a ferramenta vem depois do método. Antes de abrir qualquer programa, o jornalista precisa saber o que tem em mãos, o que está procurando e como vai saber se encontrou. E, depois, precisa poder mostrar como chegou lá — por isso todas as aulas terminam com um bloco sobre como documentar o que a IA fez em cada etapa, de modo que a apuração continue auditável quando alguém perguntar.

O corpo docente é formado por jornalistas e pesquisadores brasileiros que operam essas ferramentas em produção — em redações, agências de checagem e projetos de dados —, não por quem apenas as demonstra.

O que você vai aprender

Aula 1 — Do documento ao dado: planejar a análise
Terça, 22 de setembro · Cecília do Lago
Como montar um plano de análise antes de tocar em qualquer ferramenta: inventário do acervo, hipótese declarada, critério de sucesso, e a fronteira entre o que a IA resolve e o que só o jornalista resolve.

Aula 2 Pinpoint: coleções, entidades e conexões ocultas
Quinta, 24 de setembro · Jamile Santana
Montar uma coleção com documentos de formatos misturados, aplicar OCR e transcrição, buscar em milhares de arquivos ao mesmo tempo e usar a extração automática de entidades para descobrir quem aparece num acervo que ninguém teve tempo de ler inteiro.

Aula 3 — Backstory: investigações e checagens profundas
Terça, 29 de setembro · Sérgio Lüdtke
Verificar a procedência do material visual que aparece dentro de um acervo — laudos, capturas de tela, fotos anexadas a processos. O que a ferramenta consegue apurar sobre uma imagem, o que ela erra e como citar uma checagem automatizada sem transferir a autoridade editorial para a máquina.

Aula 4 — Gemini Notebook: bibliotecas de investigação
Quinta, 1º de outubro · Eduardo Goulart
Quando o Gemini Notebook é melhor que o Pinpoint e quando é pior. Como montar uma biblioteca por pauta, gerar linhas do tempo e resumos com citação de origem — e por que a síntese automática pode apagar exatamente a contradição entre documentos que era a pauta.

Aula 5 — Engenharia de prompt para acervos documentais
Terça, 6 de outubro · Vitória Régia da Silva
Como escrever comandos que produzem saídas precisas e auditáveis: estrutura, exemplos, formatos estruturados para alimentar planilha, prompts que obrigam o modelo a citar a página e a admitir o que não encontrou — e testes para detectar viés sistemático nas respostas.

Aula 6 — Do não estruturado ao estruturado: Gemini + Sheets + coleta
Quinta, 8 de outubro · Bruno Fávero
Transformar material público que não foi feito para ser lido por máquina em base utilizável: o que os portais publicam e o que só sai por LAI, fórmulas geradas por prompt, normalização de dados no Sheets e coleta automatizada de portais oficiais — com os limites legais e éticos que os tutoriais costumam omitir.

Aula 7 — Quando o acervo é grande demais: assistentes de busca sobre bases próprias
Terça, 13 de outubro · Ben-Hur Correia
O que fazer quando o acervo não cabe na conversa com a ferramenta. Como montar, no Google AI Studio, um assistente que responde apenas a partir dos seus documentos, sempre apontando a origem — e como testar se ele realmente funciona antes de confiar no que ele diz.

Aula 8 — Fluxo investigativo completo
Quinta, 15 de outubro · Reinaldo Chaves
Um caso real de ponta a ponta, do acervo bruto à pauta, encadeando tudo o que foi visto nas sete aulas anteriores. Inclui o checklist do que precisa passar por verificação humana antes de virar texto e um modelo de nota de transparência para a redação adaptar.

Conheça os palestrantes

Cecília do Lago — Jornalista de dados com atuação na intersecção entre política e clima. É analista de geoprocessamento no IPEA. Cobre desinformação, Judiciário, transparência e investigações com fontes abertas. Trabalhou no Estadão Verifica

Jamile Santana — Jornalista de Dados e gestora de Transparência, Dados Abertos e Proteção de Dados na Prefeitura de Mogi das Cruzes. Com 11 anos de experiência em jornalismo diário, atuou em redações locais, incluindo o G1 – Portal de Notícias da Globo no Alto Tietê, região Metropolitana de São Paulo. Foi coordenadora da Escola de Dados, programa de alfabetização em dados da Open Knowledge Brasil

Vitória Régia da Silva - Jornalista, diretora-executiva da Gênero e Número e vice-presidente da Associação de Jornalismo Digital (Ajor). Atua na liderança de investigações e projetos de jornalismo de dados com foco em gênero, raça e direitos humanos. Coordena o Radar Antigênero, iniciativa que monitora narrativas antigênero e discursos de ódio em ambientes digitais por meio de dados e inteligência artificial. Vencedora do Prêmio ANPOCS e do Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, é também finalista do Troféu Rastilho e do Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo

Sérgio Lüdtke — Jornalista com longa trajetória em redações e em projetos colaborativos de verificação, é editor-chefe do Projeto Comprova, coalizão de veículos brasileiros dedicada à checagem de conteúdos suspeitos publicados nas redes. É uma das principais referências do país em método de verificação aplicado em escala e sob prazo

Bruno Fávero — Gerente de produto sênior na BBC, em Londres, onde coordena o desenvolvimento de tecnologia para cobertura de eleições. Antes disso, foi diretor de inovação da organização de checagem Aos Fatos e repórter de política da Folha de S.Paulo. É mestre em Ciência Política pela UCL (University College London) e formado em Jornalismo pela USP

Eduardo Goulart de Andrade —  Editor sênior de investigações no Intercept Brasil e ex-editor do OCCRP no Brasil. Pelo OCCRP, integrou equipes de projetos reconhecidos internacionalmente, como “NarcoFiles” e “Bruno e Dom” – premiados, respectivamente, pela Sociedade Interamericana de Imprensa e CCNow. Também atuou como curador do Google Pinpoint da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e como professor de investigação digital na pós-graduação do Insper

Ben-Hur Correia —  Coordenador de IA do Jornalismo do Grupo Globo, e pesquisador do Centro de Estratégia e Inovação da Coppead/UFRJ. Autor de "Meus Robôs - Novas relações estabelecidas entre humanos, robôs e IA's"; e de "Liderança Algorítmica - Como usar IA para ser um Líder de Alta Performance"

Reinaldo Chaves — Coordenador de Projetos na Abraji, onde atua na interseção entre desenvolvimento técnico, gestão de projetos, coordenação editorial e formação de jornalistas. . Com mais de uma década de experiência em jornalismo de dados, faz parte da equipe do CruzaGrafos, plataforma de análise de vínculos usada por dezenas de redações na América Latina

Como funciona

As aulas são transmitidas ao vivo no YouTube da Abraji, às terças e quintas, das 16h às 17h30. Cada aula tem 90 minutos: conteúdo, um exercício aplicado e um bloco de perguntas do público

Quem se inscrever terá acesso, depois, às gravações editadas e legendadas e ao material didático na Plataforma de Cursos da Abraji, além de um espaço dedicado a tirar dúvidas no fórum da plataforma, onde a equipe do projeto responderá questões técnicas e editoriais.

Ao final, quem completar a avaliação com aproveitamento mínimo de 70% recebe certificado emitido pela Abraji, com o apoio institucional do Google sinalizado

Para quem é

Jornalistas de redação e freelancers, checadores, estudantes e professores de jornalismo, além de profissionais de comunicação e tecnologia que colaboram com equipes de reportagem. Não é preciso saber programar. Ter feito o Fundamentos de IA Generativa ajuda, mas não é pré-requisito

Como participar

Inscrições: neste link, de 8 a 23 de setembro.
Primeira aula: terça-feira, 22 de setembro, às 16h, no YouTube da Abraji.
Quem se inscrever receberá, na semana da estreia, os avisos das transmissões e o acesso à Plataforma de Cursos.

Dúvidas frequentes

O curso é gratuito? Sim, tanto a inscrição quanto o acesso às aulas, ao material didático e às gravações.

Preciso saber programar? Não. O curso parte de rotinas comuns de apuração e organização de documentos.

Preciso ter feito o Fundamentos? Não. Pode ser útil, mas as aulas são compreensíveis sem ele

As aulas são ao vivo? Sim, todas as oito. As gravações editadas ficam depois na Plataforma de Cursos.

Posso me inscrever depois que o curso começar? Sim, até 23 de setembro. Quem entrar depois da primeira aula assiste à gravação.

E se eu não puder assistir ao vivo? As gravações ficam disponíveis para os inscritos. O certificado depende da avaliação final, não da presença.

Recebo certificado? Sim, para quem completar a avaliação final com aproveitamento mínimo de 70%.

Preciso pagar por alguma ferramenta? Não. As ferramentas usadas no curso têm versões gratuitas. Detalhes de acesso serão passados em todas as aulas

Para acompanhar as atualizações, siga os canais da Abraji!

Assinatura Abraji