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04/05/12 - 17h51 - Karin Salomao
Um jornalista é morto a cada 5 dias no mundo, diz ONG Repórteres Sem Fronteiras


Por ocasião do Dia Mundial da liberdade de imprensa, 3 de maio, a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) informa que um jornalista foi assassinado a cada cinco dias no mundo, desde janeiro. A organização condena a violência contra jornalistas e blogueiros, também chamados de jornalistas cidadãos. Desde o início do ano, 21 jornalistas e 6 jornalistas cidadãos foram mortos, particularmente em zonas de conflito como a Somália e Síria, disse a ONG em nota divulgada na Tunísia, local escolhido pela Unesco para celebrar a data por ter sido onde começou a Primavera Árabe.

 

Predadores da liberdade de informação

A organização também atualiza sua lista de “predadores da liberdade de informação”, que passa a conter 41 membros este ano. As revoltas de 2011 derrubaram diversos ditadores que estavam na lista, como Muammar Gadaff, na Líbia, e Ali Abdallah Saleh, no Iêmen, “mas isso infelizmente não reduziu a lista dos inimigos da informação”, lamenta a ONG. 

Em 2012, a RSF aponta seis novos integrantes da lista: Boko Haram, um grupo islamista da Nigéria; o Conselho Supremo das forças armadas no Egito; o ministro da informação do governo federal da Somália; Vasif Talibov, governante da região autônoma de Nakhchivan, no Azerbaijão; as agências de inteligência do Paquistão e Kim Jong-un, que perpetua a ditadora de seu pai, Kim Jong-il. 

Sobre Cuba, a organização disse que "os ataques contra a imprensa independente e os blogueiros não cessaram". "Raúl Castro não se comporta melhor que seu irmão mais velho, Fidel, desde que assumiu oficialmente o poder em 2008", diz. 

Além disso, a RSF visualiza uma tendência para países com mais de um inimigo da imprensa; seis países possuem dois nomes na lista. Somália tem a milícia islâmica Al-Shaabaab assim como o ministro da informação, Abdulkadir Hussein Mohamed.No Paquistão, há o Talibã e as agências de inteligência. No Azerbaijão, os inimigos são o presidente Ilham Aliev e Talibov. Rússia não apenas tem Vladimir Putin, mas também Ramzan Kadyrov. Os territórios palestinos também possuem dois inimigos da mídia na lista dos Repórteres sem Fronteiras: as autoridades em Hamas e Gaza, ambas usando forças de segurança para ameaçar jornalistas. Por fim, o Irã, com o aiatolá Sayyid Ali Khamenei e o presidente Ahmadinejad, que, apesar de sua rivalidade “concordam em amordaçar a mídia”. O Irã ainda configura, ao lado de Eritreia, China, Turquia e Síria uma das maiores prisões para jornalistas.

 

FARC

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia estavam na lista por muitos anos. Saíram porque suas ações deixaram de visar a jornalistas. Essa semana, porém, as forças para-militares anunciaram a captura de um jornalista. O francês Roméo Langlois está desaparecido desde 28 de abril na Colômbia após trabalhar na cobertura de um combate entre a polícia e as FARC. "Estes terroristas mandaram para emissoras locais uma mensagem que teve a sua autenticidade confirmada. Nessa mensagem, admitem que têm Romeo Langlois, da rede de televisão France 24”, disse o general Javier Rey, comandante da Aviação do Exército. 

Entidades de imprensa de todo o mundo, como o representante do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OACNUDH) na Colômbia, Todd Howland, e a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton e a própria ONG Repórteres sem Fronteiras, pediram a libertação  do jornalista no Dia Mundial de Liberdade da Imprensa.

 

México

O dia internacional de liberdade de imprensa foi marcado no México pela morte de três fotojornalistas no estado de Veracruz. A Associação Internacional de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA) diz que essas mortes “proporcionaram um amargo lembrete dos perigos extremos enfrentados pela mídia em um país que sistematicamente falha em reforçar a lei para proteção de sua imprensa”. 

A Associação e o Fórum Internacional de Editores escreveram para o presidente mexicano Felipe Calderón pela segunda vez, para expressar sua indignação pelos assassinatos e pedir investigações urgentes. “Estamos seriamente preocupados com os níveis horríveis de violência contra jornalistas no México e, particularmente, no estado de Veracruz”, diz a carta

Pelo menos 43 jornalistas morreram no México desde que o presidente Calderón tomou o poder e, nos últimos 18 meses, oito foram assassinados. A história se repetiu com a descoberta das mortes de dois repórteres fotográficos, Gabriel Huge, Guillermo Luna, na última semana. Luna trabalhava na agência Veracruznews, e Huge estava até recentemente no jornal Notiver e havia recebido ameaças nos últimos meses, segundo colegas.

No começo da semana, outra jornalista de Veracruz, Regina Martínez, foi encontrada morta com sinais de agressões e estrangulamento em sua casa, na localidade de Xalapa. Ela trabalhava na revista de maior circulação no México, a Proceso, e costumava escrever sobre o narcotráfico e seu envolvimento com policiais.

Na semana anterior ao seu assassinato, cobriu a prisão de um suposto líder de Los Zetas; a prisão de nove policiais acusados de trabalhar para um cartel de drogas; e fez a reportagem sobre um prefeito que foi preso junto com supostos pistoleiros de um cartel depois de um tiroteio com o exército mexicano, segundo as informações da imprensa.

 


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