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01/02/17 - 19h23 - Tiago Aguiar
Josmar Jozino relança dois dos melhores livros sobre crime organizado no Brasil


Um dos mais experientes repórteres de polícia do Brasil, Josmar Jozino relança dois de seus livros nesta quinta-feira, 2.fev.2016. Um deles é “Casadas com o Crime”, de 2008, que trata de mulheres que passaram boa parte de suas vidas em presídios, seja como visitantes ou como encarceradas. O outro é “Xeque-Mate: O Tribunal do Crime e os Letais Boinas Pretas”, de 2012, sobre a guerra entre os homens da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e os líderes do crime organizado em São Paulo. Ele ainda prepara uma nova edição de seu primeiro livro.

Jozino, que já recebeu três menções honrosas no prêmio Vladimir Herzog, conversou com a Abraji sobre os temas de seus livros e dos planos para 2017:

Os livros foram atualizados? 

Será só uma reedição igual às primeiras edições. 

Mas posso contar em primeira mão: “Cobras e Lagartos” [seu primeiro livro, hoje esgotado e raro mesmo em sebos] será relançado pela Editora Edipro, com previsão de lançamento daqui dois meses. E esse sim será atualizado com um capítulo falando justamente da expansão do PCC nos últimos dez anos.

Aproveitando o gancho do relançamento de “Casadas com o Crime”, o que mudou nas questões específicas a mulheres do sistema prisional de 2008 pra cá?

Quando eu escrevi esse livro, eu já havia percebido que o número de mulheres presas  estava aumentando. Eu acredito que desde aquela época deve ter aumentado muito, tanto proporcionalmente quanto em absoluto, apesar de não possuir agora dados para confirmar [informações do CNJ mostram que a  população carcerária feminina subiu de 5.601 para 37.380 detentas entre 2000 e 2014, um crescimento de 567%, superior à taxa geral, de 119% no mesmo período]. E isso sinaliza que cresceu não só o envolvimento feminino com o crime organizado, mas com o crime em geral.

Recentemente você afirmou que os massacres recentes nos presídios brasileiros eram uma tragédia anunciada. Os conflitos descritos em “Xeque-Mate” hoje se expandiram pelo Brasil?

O livro trata de uma guerra específica do estado de São Paulo. De um lado você tinha a ROTA, uma tropa de elite, à qual a Secretaria de Segurança Pública delegou poderes para poder fazer a investigação, assumindo o papel da Polícia Civil. E que cometeu vários abusos. Isso gerou um conflito no qual o PCC saiu matando a esmo e no varejo vários policiais militares. 

De lá pra cá a facção criminosa cresceu muito. Ela já tinha raízes em outros estados - e em outras prisões - e foi esse avanço que gerou esse conflito interestadual, em busca da ampliação do tráfico de drogas. Em São Paulo até então existia o monopólio do tráfico, por isso esses conflitos eram muito menores.

Mas reitero: o que descrevi foi uma coisa específica do estado e o que aconteceu recentemente tem relação com a expansão do PCC.

Há dois meses foi anunciado o começo de sua colaboração com a Ponte Jornalismo, assim como que você estava trabalhando em um quarto livro. Como tem sido este trabalho?

Tenho vários amigos na Ponte e alguns deles me convidaram. Eu gostei da proposta de trabalho voltado aos direitos humanos e aceitei. Estão me deixando bem à vontade de escrever quando eu quiser.

Como eu estou envolvido com o livro, tenho feitos poucas coisas, mas pretendo me dedicar mais. É um trabalho voluntário, porém feito com muito carinho.

E “Meio que em off”, livro que reunirá bastidores do jornalismo e de sua biografia?

Já está terminado, só falta fazer as últimas leituras. Estou negociando com algumas editoras e acredito que até o final deste semestre consigo encontrar uma editora que se interesse em publicá-lo.

O relançamento das duas obras ocorrerá na Rua Barão de Tatuí nº 282 - São Paulo, na Sotero Cozinha Original, às 20h.

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